4 Passos para a Felicidade

Dicas de Matthieu Ricard, monge budista francês, para uma vida feliz. Uma matéria do site Brasil Post | De Andréa Martinelli. Saiba sobre os livros de Matthieu Ricard em português.

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Não. A felicidade não tem cheiro, não é algo palpável. Não está em ter um carro novo, o apartamento perfeito, a roupa de marca, alguém para amar ou o prazer em comer aquele pedaço de bolo de chocolate com cobertura extra. E não é “um revólver quente” como cantaram os Beatles. Ela não é uma sensação de prazer ou momentânea.

Mas é algo possível. E pode ser (sim!) o sentimento que determina cada instante da sua vida. O monge budista Matthieu Ricard, é considerado “o homem mais feliz do mundo” acredita nessa ideia e quer que ela circule por aí.

Segundo ele, a felicidade deve ser entendida como um sentimento profundo de serenidade e realização que sustenta todos os outros estados emocionais (ele conta aqui como chegou até ela). Eis 4 passos para entender e conquistar a felicidade:

1. Escolha transformar o seu sofrimento

Ninguém acorda pensando: “Que dia lindo para sofrer”, ou “Tomara que eu sofra o dia todo!”. Mas, tudo o que fazemos, direta ou indiretamente, está ligado a um desejo profundo de bem-estar e felicidade. Certo? Afinal, ninguém sai de casa esperando que coisas ruins aconteçam. Pascal, filósofo francês, disse certa vez que mesmo aquele que se enforca, de alguma forma, está procurando dar fim ao sofrimento, só não encontrou outro jeito para isso.

Mas por que continuamos sofrendo como se estivéssemos enfeitiçados por uma obsessão? A resposta está em nossa própria mente: ela não tem o treinamento adequado. Escolhemos focar a atenção plena no sofrimento – e só nele. Segundo Matthieu Ricard, este “foco” só provoca o aumento da agonia. Quando um tema nos angustia é porque nossos pensamentos insistem em regressar à origem desta dor e é preciso tentar deixar de lado as emoções negativas para desenvolver as positivas (mas não é algo que acontece do dia para a noite. Exige tempo e esforço – veja o tópico 4).

2. Ter Tudo não é sinônimo de felicidade

A busca pela felicidade, muitas vezes, se dá de forma equivocada. Ela não está em “coisas”, ela não é algo que se irradia para fora de um ser, e não está ligada ao sentimento de prazer. Na maioria das vezes, “ter tudo” é sinônimo de sucesso, de felicidade, de realização pessoal. Mas, na visão de Matthieu, o “ter” é um grande perigo já que se houver algo que não se consiga ter, tudo ao redor pode desabar. Para ele, o controle que temos sobre o mundo externo é muito vago, limitado, temporário e, frequentemente, ilusório.

3. Busque olhar para si, e não para o outro

Você pode estar no melhor lugar do mundo, com as melhores companhias, a melhor comida, a melhor cama, mas estar completamente infeliz. Então, como é possível criar condições para que a felicidade aconteça? Como identificar os sentimentos que possam minar a felicidade? Para Ricard, sentimentos tóxicos como ódio, raiva, inveja, arrogância, desejo obsessivo e ganância, deixam marcas depois que os experimentamos. Além disso, são capazes de interferir na felicidade do outro. Então, por que não olhar para as condições internas de mudança, já que são mais fortes do que as externas?

A capacidade de mudança só existe porque os sentimentos são efêmeros, segundo Matthieu. Esta é a base de transformação da mente e o antídoto para estas emoções que minam o sentimento de bem-estar: não focar o objeto do ódio, por exemplo, e focar no interior, para dissolver este sentimento tantas vezes até que, caso surja de novo (e sabemos que vai), ele apenas passe pela mente e não deixe marcas. A ideia é, por meio de um comportamento altruísta, você consiga praticar a compaixão e se familiarizar com uma nova forma de ser e de perceber a realidade à sua volta.

4. Conheça e transforme a sua mente: medite!

Matthieu disse em entrevista à revista Galileu que não considera o budismo uma religião: “Não perdemos tempo discutindo Deus. A questão é irrelevante. Buscamos saber como a mente funciona. Precisamos refinar a percepção de nossa realidade.” E é aí que o papel da meditação entra. Segundo ele, uma mente mais tranquila responde melhor aos desafios da vida, impostos pelo cotidiano, enquanto as emoções descontroladas levam ao caminho oposto ao equilíbrio e a serenidade.

O ódio, a inveja, a raiva ou a arrogância são sentimentos que minam a felicidade. Segundo ele, quanto mais aprendemos a lidar com estes sentimentos de forma passageira em nossa mente, podemos ser como o mar: por mais que as ondas fiquem inquietas por cima e tempestades ocorram, o fundo do oceano não muda, continua intacto. Lembra daquela história de “para ser grande, sê inteiro”, de um dos poemas de Fernando Pessoa? É mais ou menos isso.

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