Budismo Engajado na Ação

Trecho do livro Mandala do Lótus, do Lama Padma Samten. Capítulo Budismo Engajado na Ação, sub-título Sonhos em Grupo e Desarticulação. Livro publicado em 2006, mas muito atual.

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Sonhos em Grupo e Desarticulação

Dentro do processo gradual da mandala, é necessário perceber que no início, estamos como o adolescente dentro de casa, pensando sozinhos. Depois, conseguimos nos integrar às pessoas da família. Mais adiante, às pessoas do edifício, do bairro, da cidade.Mas é preciso encontrar pensamentos convergentes, formas convergentes de pensar. Se tivermos sucesso na visão conjunta, avançaremos para a etapa na qual surgem sonhos em comum.

Quando os sonhos em comum estão presentes, seja em uma vila, cidade ou estado, convergimos e trabalhamos de forma não repressiva. Todos trabalham alegremente, voluntariamente e a energia circula. A energia da alegria movimenta a todos.

São os sonhos em comum que produzem a alegria, que é o combustível que move a todos. Dentro do sonho, cada um faz alguma coisa. Todos trabalham sem remuneração, o salário é a alegria. Quando os sonhos não estão presentes, precisamos de salário, sem o que nada é feito, e mesmo assim a energia e a satisfação podem não estar presentes. Quando temos sonhos, vivemos nossa vida de forma feliz, alegre, nos movimentamos sem impedimentos.

A sociedade humana sempre foi movida por sonhos e por essa felicidade, por essa energia, essa eletricidade que brota internamente. A transformação da sociedade humana A transformação da sociedade humana em sociedade econômica é muito recente.

A sociedade econômica é infeliz porque trocamos nossa energia por um recurso ou uma conveniência. Passamos a direcioná-la limitadamente. Na sociedade econômica não há mais necessidade de sonhos em comum. Nem somos mais comunidades, temos apenas aspirações individuais, cumprimos funções, recebemos dinheiro e fazemos as coisas funcionar mesmo sem coração,mesmo contra as nossas convicções.

Hoje em dia, existem muitas organizações econômicas tentando criar sonhos individuais para nós na forma de objetos e aparelhos, pequenas coisas que compramos e que nos alegramos por possuir. Na verdade não ficamos felizes com o objeto, apenas nos ocupamos com ele responsivamente, não se trata de felicidade. É um processo limitado.

O diagnóstico budista de nossa sociedade como um todo é que vivemos um quadro de grave desarticulação social. A desarticulação não significa o rompimento de nossas estruturas pelo comportamento negativo das pessoas. Ẽ mais fácil e mais simples de consertar: nos faltam sonhos, diálogo, energia fluindo de forma natural. Precisamos dos sonhos práticos em comum, do diálogo. Precisamos retornar ao sentido de comunidade, precisamos restabelecer a mandala.

Lama Padma Samten
No livro Mandala do Lótus – 2006 – pag 138-139

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