Ansiedade e Meditação

Como trabalhar com a ansiedade no caminho da libertação?
por Bruce Tift
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Ao se investigar a ansiedade, a abordagem ocidental considera a própria experiência como ponto de partida. O que desencadeou a ansiedade? Como podemos trabalhar com ela? Como combatê-la?

Não podemos resolver nossas vidas. A vida não é algo que possa ser quebrado e consertado a seguir. A vida é um processo e não temos como resolver um processo. Só o que podemos fazer é participar dele, consciente ou inconscientemente. Nós não vamos encontrar uma fórmula perfeita para aplicar vida afora. Não podemos eliminar a dor, mas podemos evitar sofrimentos desnecessários.

Quanto mais profundamente analisamos, menos podemos compreender a aparente autonomia dos fundamentos na psicologia ocidental. Sob o ponto de vista budista, a natureza da vida – e da mente – é aberta. Não há fundamento; nem base de sustentação. Nós podemos participar conscientemente desta natureza aberta, mas não sabemos disso. Por esse ponto de vista, a ansiedade, é, na verdade, uma parte necessária de nosso caminho.

Conforme despertamos, expandindo a consciência, inevitavelmente experimentamos ansiedade. De uma maneira ou de outra, qualquer pessoa comprometida com um caminho espiritual pode perceber a ansiedade como a aproximação do estado de mente aberta. Quando eu digo “perceber a ansiedade”, quero dizer fazer o difícil trabalho – que vai contra nossa biologia e nossos condicionamentos culturais – de se treinar para parar de tentar escapar dos sentimentos ansiosos. Quer dizer, até mesmo aprender a apreciá-los, explorá-los, senti-los, e avaliar, por si próprio, se são realmente o imenso problema que pensamos.

Se a ansiedade não for um problema e se compreendemos que, na verdade, é uma parte essencial do caminho do despertar, então nos incentivamos a praticar a percepção, dizendo para nós mesmos: “Eu estou pronto a me sentir ansioso em qualquer segundo e a trabalhar com a energia da ansiedade o resto da minha vida. Abro mão da ilusão de uma vida sem ansiedade”. Se a ansiedade é a resposta egóica em relação ao desconhecido – ou abertura, como prefiro chamar – então podemos, de fato, considerar perceber a ansiedade, já que ela não leva a lugar nenhum.

Dar-se permissão para sentir a ansiedade

Se você deseja tentar essa prática, decida com qual sentimento você vai trabalhar. O ideal é você escolher algo que realmente incomode – como abandono, vergonha, baixa auto-estima, dependência, culpa ou ansiedade. Após escolher sua questão, tire um tempo para se ambientar. Se você estiver sentado, sinta o peso do seu corpo na cadeira. Então, preste atenção em sua respiração, sentindo a inspiração e a expiração. Ao se fazer presente, converse consigo mesmo. Diga em alto e bom som: “Eu me permito sentir (fale o sentimento que o incomoda) pelo resto da minha vida.” Aceite esse sentimento como uma parte legítima de você. Conforme você convida este sentimento, procure manter a atenção, sem julgamento, sobre qualquer sensação de dor que surja. Por exemplo, muitas pessoas sentem a intensidade emocional na coluna. Confira se há alguma agitação ali, talvez você se sinta entorpecido do pescoço para baixo. Talvez haja alguma sensação de formigamento nas mãos, ou dores, obstrução ou leveza em alguma outra parte do corpo. Talvez o incômodo permeie todo o corpo. Ou talvez você não tenha consciência das sensações, a não ser atrás dos olhos. Não importa o que você descubra: o objetivo é direcionar sua atenção para a sensação causada pela ansiedade.

Em seguida, pergunte-se a si mesmo se esta sensação representa realmente algum tipo de ameaça. Você vai morrer por causa da sensação de nó no estômago, ou de vazio no peito ou de aperto no coração? A queimação em seu plexo solar é realmente perigosa?

Será que a tensão na barriga ou a compressão na garganta são suficientes para matá-lo?

Se você achar que experimentar essas sensações não é prejudicial, mesmo se elas forem preocupantes, então considere se relacionar com essas sensações, talvez pelo resto da vida. Que sentimentos surgem quando você pensa nisso? Que sensações?

O objetivo desse exercício é o de ver por si mesmo se essas sensações são mesmo um problema tão sério a ponto de você programar sua vida em torno de não senti-las.

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From Already Free: Buddhism Meets Western Psychotherapy on the Path of Liberation by Bruce Tift, published by Sounds True. Publicado no site Lions Roar. Tradução para o português: Equipe Budismo Petrópolis.