Presença Mental não é o que você Pensa

Por Dzogchen Ponlop Rinpoche.

Veja o novo livro do mestre Dzogchen Ponlop Rinpoche em português – Resgate Emocional.

O processo de presença mental [do corpo] consiste em simplesmente estar atento, estar presente e observando nossa experiência do corpo – da forma como ele é. Sentir o corpo “da forma como ele é”, sem embelezamento extra e também sem negar o fato de que estamos passando pela experiência. Apenas sentir, da forma como ele é.

Quando passamos pela presença mental do nosso corpo dessa forma podemos, naquele momento, sentir uma ausência de confusão. Temos o sentido de estar naquele momento genuinamente. Assim, essa presença mental é bela. Não precisamos transformar essa experiência em algo diferente. Nem precisamos negar o que quer que seja. Apenas sentir, da forma como ele é.

Traga sua atenção ao seu corpo e veja como você se sente em relação a isso – como você se sente por estar em seu corpo, ao invés de sempre estar distante mentalmente. Isso é o que chamamos tradicionalmente de “presença mental do corpo”.

Praticar a Presença Mental de Nossas Emoções

Assim como fazemos na prática de presença mental do corpo, você também pode escanear todo o corpo e tentar deixar ir qualquer emoção. Você as deixa ir por meio de relaxamento, e não ao empurrá-las. Quando o “deixar ir” se torna “empurrar”, então as emoções resistem ainda mais. Como de costume, quando você tenta afastar alguém, essa pessoa não vai embora.

A “Atenção ao Espaço” é útil neste caso: ela nos dá o espaço para reconhecer quando uma emoção está surgindo. Quando você está sentindo medo ou raiva você pode notar: “Ok, essa emoção está surgindo, estou sentindo raiva agora. É assim que sinto a raiva. Essa é a aparência da raiva. É assim que a raiva se manifesta”.

Observar uma emoção com esse sentido de presença mental é o primeiro passo para trabalharmos com nossas emoções. Dessa forma estamos na verdade criando, ou fazendo a experiência, de um vão por meio do qual nós vamos cortar a corrente de conceitualização e rotulação de nossa raiva, nosso medo e assim por diante. Quando paramos essa corrente de conceitos através de presença mental começamos a desenvolver uma noção de perspectiva em relação a nossas emoções.

Como Podemos Ajudar aos Outros com Nossa Presença Mental

O primeiro passo para trazer benefício aos outros é não os maltratar. Se estamos mentalmente presentes com nossos corpos, nossas falas, nossas intenções, pensamentos e emoções – então já estamos resguardando outros seres de dor e sofrimento. Estamos nos impedindo de lhes causar mal. Então esta é a primeira maneira de se beneficiar aos outros seres.

Em segundo lugar, quando você quer trazer benefício aos outros seres você deve realmente tentar aprender, ou escutar, o que eles precisam. Precisamos escutar para descobrir como podemos ser úteis em relação a suas necessidades, como podemos diminuir seu sofrimento. O que eles precisam e o que nós pensamos que eles precisam… essas são duas coisas diferentes.

Normalmente tentamos ajudar os outros impondo nossa ideia a respeito do que eles precisam. Vamos ao redor do mundo dizendo às pessoas: “Vocês precisam de água corrente em sua vila, então vamos trazer canos de água”, e coisas desse tipo. Então, quando queremos trazer benefício aos outros, precisamos de presença mental.

Podemos aplicar a presença mental no momento de ouvir àqueles que queremos ajudar, de forma a podermos compreender o que eles precisam. E se estamos mentalmente presentes com nossas próprias projeções sobre o que eles precisam – e se podemos refrear nossa ação baseada nessas projeções – então estamos realmente beneficiando aos outros diretamente no nível do coração. Diretamente no nível do coração estamos ouvindo um ao outro. Assim podemos realmente realizar algo que faz a diferença na vida dos outros, desde a perspectiva deles sobre o que eles precisam.

Dzogchen Ponlop Rinpoche deu ensinamentos sobre esses aspectos da presença mental em um workshop sobre seu livro Resgate Emocional (Veja aqui o livro em portuguêsResgate Emocional.) em Seattle, nos EUA em 2016. Artigo originalmente publicado em http://www.dpr.info/uncategorized/mindfulness-is-not-what-you-think/. Traduzido por Fernando Oliveira e revisado por Victor Miranda.

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