Levante-se contra o sofrimento

Levante-se Contra o Sofrimento: Uma Chamada para a Ação por Professores Budistas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Treze proeminentes professores explicam por que os budistas precisam estar politicamente engajados neste momento crucial da história do país, nesta declaração publicada na revista digital “Lion’s Roar” e assinada por mais de 140 líderes budistas.

“Enquanto uma sociedade proteger os vulneráveis entre eles,
poderão esperar prosperidade e não declinar.”

— Buda, no Mahaparinirvana Sutta.

O Budismo não se alinha com nenhum partido ou ideologia. Mas quando um grande sofrimento está em jogo, os budistas devem se posicionar contra ele, com bondade amorosa, sabedoria, mente tranquila e coragem.

Comprometidos com a compaixão, seguimos o exemplo da Bodisatva Kwan Yin, “aquela que ouve os lamentos do mundo.” Assim como ela, ouvimos os gritos das pessoas que sofrem e fazemos tudo o que está em nosso alcance para ajudá-las e protegê-las.

Neste tempo de crise nós ouvimos os lamentos de milhões que sofrerão as políticas retrógradas da nova administração dos EUA que atingem nossas comunidades mais vulneráveis. Nós ouvimos os lamentos de uma nação, cuja democracia e tecido social estão em risco. Nós nos unimos em solidariedade com muitos outros que também estão ouvindo esses lamentos, sabendo que juntos podemos ser uma força notável para a transformação e liberação.

Líderes religiosos e praticantes sempre desempenharam um papel vital em movimentos por justiça e progresso social, contribuindo com sua sabedoria, amor, coragem e comprometimento com os outros. Pessoas de todas as “fés” são necessárias nas linhas de frente agora, resistindo a políticas que causarão danos e oferecendo uma visão nova e positiva para o nosso país.

Acreditamos que praticantes budistas deveriam estar entre eles, juntando os braços com todas as pessoas de boa vontade para proteger os vulneráveis, para combater a violência sistêmica e opressão, e trabalhar por uma sociedade mais justa e cuidadosa. O Budismo é respeitado em todo o mundo como uma religião de compaixão e paz. Somos necessários e desejados neste movimento e temos muito a contribuir.

O budismo nos EUA reúne pessoas de muitas diferentes origens, interesses e visões. Alguns budistas enfatizam a prática da meditação, enquanto outros se concentram no estudo, na comunidade ou fé. Alguns são politicamente liberais e outros conservadores. Alguns preferem manter sua prática budista separada das questões políticas e sociais, enquanto outros estão profundamente engajados.

Porém, uma coisa nos une: nosso compromisso para diminuir o sofrimento de todos os seres. O darma não é uma desculpa para nos afastar do sofrimento do mundo, nem é um sedativo para nos levar confortavelmente através de momentos dolorosos. É um ensinamento poderoso que nos liberta e fortalece para trabalhar diligentemente para a liberação dos seres do sofrimento.

O que está acontecendo agora atinge diretamente o coração disso, nosso comprometimento central como budistas. Isso transcende nossas diferenças e nos chama à ação. Se as políticas da nova administração prevalecerem, milhões de pessoas em comunidades vulneráveis e menos privilegiadas sofrerão. As esperanças serão frustradas. Sem dúvida, vidas serão perdidas. O conflito internacional se intensificará e a destruição ambiental aumentará.

Encarando a realidade desse sofrimento, nos lembramos que tranquilidade não significa passividade, e desapego não significa não-engajamento.

Hoje nos perguntamos: o que significa ser Kwan Yin no mundo moderno? O que significa ser um cidadão-bodisatva, alguém que esteja disposto a se engajar com a sociedade para ajudar a proteger e despertar os outros?

Examinando nossos valores mais profundos como budistas, discernimos através da sabedoria os meios mais hábeis para viver e sustentá-los.

O ensinamento da sabedoria da interdependência é o guia do cidadão-bodisatva para a rede de causas e condições que criam o sofrimento.

Enquanto o Budismo tem tradicionalmente enfatizado as causas pessoais do sofrimento, hoje nós também discernimos como os três venenos da cobiça, agressão e indiferença operam através de sistemas políticos, econômicos e sociais para causar sofrimento em grande escala.

Enquanto continuamos a trabalhar com o ego e os três venenos em nossa prática pessoal, o vislumbre da interdependência nos chama para abordar as causas sociais do sofrimento também. À medida que resistimos à elevada ameaça de muitas políticas do novo governo, também reconhecemos que comunidades sub-representadas e oprimidas nos EUA há muito tempo vêm sofrendo devido à ganância sistêmica, agressão, aversão e indiferença.

A sabedoria da interdependência aprofunda e inspira nossa compaixão. Compreendendo que nenhum de nós está separado, sabemos que o sofrimento dos outros é o nosso sofrimento. Enquanto alguns argumentam que o princípio da não-dualidade sugere que budistas não deveriam se engajar ou tomar partido em questões políticas ou sociais, acreditamos que o oposto é verdadeiro. É pela razão de que nós e os outros não estamos separados que devemos agir.

Seja qual for nossa perspectiva política, agora é o momento para se posicionar em relação àquilo que importa. Posicionar-se em relação ao ódio. Posicionar-se pelo respeito. Posicionar-se pela proteção dos vulneráveis. Cuidar da terra.

Podemos ver claramente o trabalho à nossa frente. É o trabalho do amor e sabedoria em face do racismo, a violência baseada em gênero e orientação sexual, xenofobia, injustiça econômica, guerra e degradação ambiental. Temos que trabalhar juntos para mudar a maré para aquilo que beneficiará nossos filhos, o mundo natural e o futuro.

Como budistas, sabemos que a verdadeira mudança começa em nós mesmos. Devemos explorar e expor nossos próprios privilégios e áreas de ignorância, e encarar o racismo, misoginia, preconceito de classe e muito mais em nossas comunidades. Podemos dar um exemplo para a sociedade mais ampla, criando sangas seguras, respeitosas e inclusivas.

Nossas comunidades budistas podem se tornar centros de proteção e visão. Isso pode assumir muitas formas. Pode significar oferecer refúgio para aqueles em perigo ou habilmente confrontar aqueles cujas ações prejudicariam os mais vulneráveis entre nós. Pode ser também se posicionar pelo ambiente ou se tornar um aliado ativo para aqueles que são alvos de ódio e preconceito.

É verdade que nossos números são pequenos, mas podemos nos juntar a outros que compartilham nossas convicções e valores. Para aqueles que são novos nisso, por favor, lembrem-se de que há muitas pessoas que dedicaram suas vidas ao trabalho nas mudanças sociais. Elas usaram os meios hábeis de organizar e construir de forma compassiva movimentos sustentáveis. Encontre-as, envolva-se e aprenda com elas.

Enquanto compartilhamos um compromisso comum para aliviar o sofrimento de todos os seres, isso não significa que todos os budistas devam ou possam responder da mesma maneira. Alguns marcharão ou se engajarão em ação direta. Outros apoiarão o bem-estar da comunidade por meio de clínicas, jardins, reforma da justiça criminal ou empoderamento da juventude. Alguns trabalharão nas próximas eleições, alguns meditarão mais e outros tentarão ser mais bondosos e mais civilizados em suas interações no dia a dia. Algumas manifestações de Kwan Yin têm mil braços, porque há muitas formas de servir aos outros.

Por enquanto, nos preparamos para enfrentar tempos desafiadores e estressantes. Para prevalecer, precisamos estar firmes em nossos ideais atemporais de sabedoria, amor, compaixão e justiça. Devemos manter nossa fé de que, embora a ignorância e o ódio possam às vezes ser dominantes, através de uma ação combinada e pacientemente buscada, podemos criar uma sociedade baseada na justiça, amor e unidade humana.

Mais do que nunca, temos que ser bodisatvas compassivos, valentes e engajados. Como Kwan Yin, ouvimos os lamentos de um mundo em sofrimento e, com sabedoria e amor, respondemos.

Por Bhikkhu Bodhi, Myokei Caine-Barrett, Norman Fischer, Joan Halifax, Mushim Patricia Ikeda, Jack Kornfield, Ethan Nichtern, Roshi Pat Enkyo O’hara, Lama Rod Owens, Greg Snyder, Gina Sharpe, Rev. angel Kyodo williams e Jan Willis. Leia em inglês na publicação original aqui.

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Tradução por Marcelo Nicolodi e Thais Camomila
Transcrição por Thais Camomila

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